A INTERNET - O CONCIERGE DE TODAS AS HORAS

Se pudéssemos olhar o grande ecossistema web e classificá-lo em blocos que se conectam, diríamos que tal formação estrutura-se em 4 grandes grupos: a internet de Pessoas (Perfis), a Internet de Coisas, a Internet de Informação e a Internet de Lugares.

São estas as dimensões que nos levam a cruzar elementos e obter respostas satisfatórias para exercitar todos os nossos sentidos na web: consumir, ouvir, ler, assistir, interagir, conversar, compartilhar, colaborar etc.

E quanto mais o processo de digitalização se amplia e se estende, crescem por consequência as probabilidades de “matchs” em torno desta grande órbita.

Partindo do princípio que o modelo clássico de recuperação de informação passa por: 1) identificação de um problema, para 2) articulação da informação, na sequência 3) formulação da pergunta, com 4) avaliação de respostas e, por fim, 5) tomada de ação e somando-se a isso o cenário de imensa vastidão de respostas, por mais relevantes que elas sejam, vai se comprometer os dois últimos passos (4 e 5) de forma importante.

Trata-se do eterno refinamento da busca, da exploração infinita de possibilidades e justificativas para a melhor avaliação. E sem dúvida este processo, na maioria das vezes, será abortado por esgotamento ou impaciência do condutor e, portanto, a ação não se concretizará.

E é aí então que podem nascer as novas oportunidades de negócios em torno da internet, novos modelos que atuam como a busca da busca, focam em nichos específicos, grupos de pessoas, fazem a seleção dos produtos, customizam serviços, organizam a informação de forma adequada, e, por fim, podem até tomar a decisão pelo usuário, fazendo com que o ciclo clássico da busca se cumpra de forma natural e dinâmica.

Estes novos negócios atuam como os “infomediaries”- termo criado há mais de uma década para apontar o grande papel da internet do futuro próximo. Eles funcionam como um agente pessoal em nome do consumidor ou usuário, um agente de confiança, que cria oportunidades e meios para que os clientes rentabilizem e lucrem com o seu próprio perfil. A sua essência é a combinação adequada de quesitos de Perfis, Coisas, Informação e Lugares.

Existem manifestações que já estão praticamente difundidas entre nós como os localizadores de táxi, consultores de moda e de decoração, cotadores de serviços etc. E o que faz do modelo um sucesso é que na cadeia todos ganham, pois ele aproxima a demanda da oferta de forma assertiva, tornando a primeira (demanda) mais eficiente e conveniente e a segunda (oferta) mais constante, transformando a geração de leads um processo mais orgânico.

Um modelo em processo inicial, mas que merece atenção, são os marcadores de consulta médica. Eles reúnem todos os componentes das 4 internets. Buscam a especialidade desejada, na localização conveniente, por valor de consulta, mostram reviews de outros pacientes, expõem diferenciais, colocam disponibilidade de horários, permitem comparações, fazem o agendamento e o acompanhamento do processo, até a execução da consulta para a mensuração da satisfação do cliente.

Quando sentimos a contaminação e o impacto destes modelos em nossas vidas pensamos em como foi possível viver tanto tempo sem eles, e que hoje não daríamos nem sequer um passo sem antes consultar o que a web passou a ser, o nosso “Concierge” de plantão.

Por outro lado, também podemos pensar que, a partir destes poucos modelos que já existem, quais outros podem se servir desta mesma composição? Certamente há infinitas possibilidades. Ache uma (ou várias).

Valéria Jureidini

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